Elisée Reclus - O Brasil e a Colonização
O Brasil e a Colonização
Élisée Reclus, apoiado principalmente nas obras relativas ao Brasil, do médico e explorador alemão, Dr. Avé-Lalllemant, que viveu por muitos anos no Rio de Janeiro e viajou por todo o país na segunda metade do século XIX, compõe-nos sucintamente o mosaico do Brasil império, de norte a sul. Nele, suas peças constitutivas: a questão indígena, a ocupação do território, a escravidão, o descompromisso da casta governamental, as ambições em jogo, a imigração européia passam pela meticulosa apreciação desse grande geógrafo e pensador libertário.
A obra O Brasil e a Colonização foi publicada em duas partes, ambas na Revue des Deux Mondes. A primeira parte, “A Bacia das Amazonas e os Indígenas”, em 15 de junho de 1862; a segunda, “As Províncias do Litoral, os Negros e as Colônias Alemãs”, em 15 de julho de 1862.
“Em geral, as municipalidades das grandes cidades brasileiras, à exceção de Rio de Janeiro, parecem dedicar-se principalmente à construção de edifícios de luxo e negligenciam bastante as melhorias que concernem à higiene urbana. Em Salvador, em Recife, gastaram muitos milhões a fim de construir teatros suntuosos e garantir célebres prima-donas; mas se dedicaram muito pouco à construção de esgotos, tão necessários nesse império da febre amarela; prisões, abomináveis sentinas onde os Howard nunca se aventuraram; hospitais, que os pobres temem com toda razão como antecâmaras da morte. [...] Também se poderia censurar os brasileiros por essa ambiciosa imprevidência com a qual eles começam obras que mais tarde a falta de recursos os faz abandonarem. Por toda parte vemos estradas abertas a elevados custos que a vegetação já obstrui e que se vão perder no meio da floresta; em toda parte observamos pontes das quais só restam pilares ou contrafortes inclinando-se sob o esforço das terras, ou, então, semiderrubados pelas inundações; por toda parte fundações de edifícios que deveriam ser esplêndidos, mas cujas paredes que mal saíram do solo só servem hoje aos répteis.“
ÉLISÉE RECLUS
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