Jacques L. La Haye - A Morte do Manicômio
A MORTE DO MANICÔMIO Jacques Lesage de La Haye
Jacques Lesage de La Haye, depois de ter passado onze anos e meio na prisão, foi psicólogo no Estabelecimento público de saúde de Ville-Evrard (CHS) e professor na Universidade de Paris VIII. Aqui e acolá ele não cessou de denunciar todas as formas de encarceramento. Neste livro, no qual se mesclam lembranças pessoais e análises teóricas, ele nos conta a história, enfim de contas bastante mal conhecida, da antipsiquiatria. Igualmente de sua crítica psi e de sua crítica social do manicômio. De sua vontade de promover, notadamente por intermédio das práticas autogestionárias, a parte de humanidade do louco. De sua luta para demolir os muros da internação e reinserir o louco na vida social.
Hoje, ainda continuando a subsistir aqui ou ali, o manicômio foi amplamente substituído. O setor psiquiátrico compreende, com efeito, centros de dia e de noite, apartamentos associativos, coletivos e terapêuticos, centros de atendimento terapêutico em tempo parcial, hospitais de dia, centros médico-psicológicos, centros de crise e atendimento de urgência...
No entanto, – e este livro testemunha isso – a batalha ainda não está ganha. Pior, neste momento em que constatamos uma onda de autêntico delírio por segurança sabiamente orquestrado pelos senhores do mundo, ela anuncia-se difícil. E, se este livro, que é um livro de combate, é hoje lançado, não é absolutamente um acaso. É uma necessidade!
"Quer se trate de psicoterapias, socioterapias ou psicanálise, uma psicopolítica da terapia atesta que, se é importante tratar dos indivíduos a partir de seus problemas psicológicos, é ainda mais importante atacar o problema no campo sociopolítico. Pode-se, com efeito, ajudar os indivíduos que foram demolidos pelo sistema, depois internados a fim de desaparecer da vista daqueles que não podem mais suportá-los, mas é um pouco fácil. É dar-se a baixo custo o papel de salvador. Neste tipo de sociedade, existe aquele que se ocupa dos miseráveis excluídos e reclusos. O fato de haver pobres e ricos não choca absolutamente. Sem dúvida sofremos de uma obscura culpabilidade pelo fato de aproveitarmos a vida enquanto outros morrem lentamente? Que solução fácil ocupar-se dos pobres para lavar-se dessa culpabilidade. Isso não incomoda ninguém, sobretudo o sistema e seus privilegiados. Aquele que se entrega a essa modesta ocupação é aureolado com o prestígio do anjo, do santo ou de deus. É mais desagradável combater a máquina de fabricar os doentes mentais. Não estamos certos de lograr êxito. Perturbamos a ordem estabelecida. Arriscamo-nos à repressão, ao fichamento e à exclusão. Mas como podemos nos obstinar em reparar objetos quebrados por uma máquina sem avançar no sentido de mudar a máquina a fim de que ela não mais produza esses seres destruídos, deficientes e mortalmente feridos?
JACQUES LESAGE DE LA HAYE
Páginas: 216 Ano: 2007
ISBN: 857663015X- Peso (kg)
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